quinta-feira, 9 de julho de 2020

COVID-19


Covid-19. Brasil zona emergente de fome extrema

EPA A organização não-governamental Oxfam sinalizou o Brasil como "zona emergente" de fome extrema, adiantando que a pandemia de Covid-19 veio acelerar o crescimento da pobreza e da fome em todo o país.
O Brasil surge com esta classificação, juntamente com a Índia e a África do Sul,no relatório O vírus da fome: como a Covid-19 está a aumentar a fome num mundo faminto, da organização não-governamental Oxfam, que analisa os impactos da doença em países onde a situação alimentar e nutricional das populações era já extrema antes da pandemia. De acordo com a ONG, a situação da pobreza e fome no Brasil começou a deteriorar-se em 2015 devido "à crise económica e a quatro anos de austeridade".
"Até 2018, o número de pessoas que sofriam de fome no Brasil tinha aumentado em 100 mil para 5,2 milhões graças a um forte aumento da pobreza e do desemprego, e a cortes radicais nos orçamentos para a agricultura e a proteção social", refere-se no documento, que aponta os cortes no programa Bolsa-Família e, desde 2019, "um desmantelamento gradual" das políticas e instituições destinadas a combater a pobreza.
"A pandemia Covid-19 foi agora acrescentada a esta mistura já tóxica, causando um rápido aumento da pobreza e da fome em todo o país. As medidas de distanciamento social introduzidas para conter a propagação do coronavírus e evitar o colapso do sistema de saúde pública agravaram a crise económica", acrescenta-se no estudo.
A ONG recorda que milhões dos trabalhadores mais pobres, que têm poucas economias ou benefícios, perderam empregos ou rendimentos, sem que tenham sido beneficiados por apoios governamentais.
Números da crise crescente:
"Até final de junho, o Governo federal distribuiu apenas dez por cento da ajuda financeira prometida aos trabalhadores e empresas, através do Programa de Apoio Emergencial ao Emprego (PESE), com as grandes empresas a obterem mais benefícios do Governo do que os trabalhadores ou micro e pequenas empresas", aponta a Oxfam.
Da mesma forma, apenas 47,9 por cento dos fundos destinados à ajuda de emergência a pessoas vulneráveis tinham sido distribuídos até ao início de julho.
Por isso, a ONG entende que "o Governo federal está a falhar no apoio às pessoas mais vulneráveis do Brasil".
De acordo com a Oxfam, a implementação do programa de Renda Básica de Emergência regista longos atrasos na resposta aos pedidos de ajuda, recusas injustificadas de ajuda, falta de telemóveis, ligações à internet e endereço de e-mail para se qualificar para a assistência.
Por outro lado, adianta a organização, "apenas três meses após o início do surto do coronavírus do país, e numa altura em que ainda está largamente fora de controlo, o Governo ameaça reduzir o pagamento dos benefícios".
A Oxfam Brasil lançou uma campanha para apoiar 1.000 famílias vulneráveis em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife através de transferências monetárias de 60 dólares (53 euros) por mês durante quatro meses, considerado o suficiente para garantir que as famílias possam comprar alimentos e outros bens essenciais.
A meta de arrecadação de fundos para este programa é de 240 mil dólares (211,8 mil euros).
O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo maior número de infetados e de mortos (quase 1,71 milhões de casos e 67.964 óbitos), depois dos Estados Unidos.


quarta-feira, 8 de julho de 2020

LUANDINO

LUANDINO - O LIVRO DOS GUERRILHEIROS

Entanto que ex-guerrilheiro, eu, Diamantino Kinhoka, ainda com a autorização que sempre a amizade e camaradagem aceitam, sendo quissoco nosso o da luta de libertação, não reinvindico licença de mentir. Ainda mesmo companheiros de luta, compatriotas nados e crescidos nas mesmas sanzalas, próprias ou alheias de outra região - isto é: lá onde lhes nasceram seus entespassados - não aceito crítica por adiantar
contar os seus feitos, sucedos e vidas, e mortes, quando lhes tiveram já.

Escrevo assim, porque na terra que nos nasceu, muitos séculos e tradição e lutas dão de gerar conformidade entre nosso entendimento das coisas e as próprias coisas dela, sejam vivas sejam mortas.
Então, tendo que contar essas algumas coisas nossas, ou por gabo ou por maldizença, nunca lhes poderia directamente contar. Porque, se dou gabo, sempre tem quem vai duvidar que foi mais do que poderia ser; se dou maldizer, sendo eu próprio ex-guerrilheiro, que são invejias do feito e vivido nos outros alheios.

E também outrossim, porque é dos livros da memória e tradição no nosso povo que aquele com quem tens de comer as folhas do macunde na tribulação, tem de ser aquele que repartes com ele o feijão na abundância. Daí que a verdade de suas vidas sempre não é possível de escrever, ainda que desejada; mas, menos ainda, desejada se possível. A gente fizemos a revolução, nossas memórias têm o sangue do tempo.

Se os verdadeiros escritores da nossa terra exigirem a certidão da história na pauta destas mortes, sempre lhes dou aviso que a verdade não dá se encontro em balcão de cartório notarial ou decreto do governo, cadavez apenas nas estórias que contamos uns nos outros, enquanto esperamos nossa vez na fila de dar baixa de nossas pequenas vidas.

Quero então com-licença apenas para a formosura destas vidas; a das minhas palavras é muito duvidosa. E mesmo que não fosse, mesmo assim nunca ia bastar para ordenar a verdade

terça-feira, 7 de julho de 2020

LUANDINO


LUANDINO

Meu amigo.
De entre todos os escritores angolanos, é o meu preferido.
É difícil considerá-lo um escritor. Para mim ele é o arquitecto da palavra, influenciador das mais brilhantes mutações da linguagem de Camões.
Escreveu muita coisa fantástica.
Traduzido em dúzias de linguas.
O meu livro preferido que releio sempre chama-se "Lourentinho, Dona Antónia de Sousa Neto e eu".
Mas, para quem tiver a coragem de ler e aprofundar e apreciar a incrível escrita dele, aconselho "De rios velhos e guerrilheiros", dois volumes.
A nossa pátria está lá, de uma forma única. E a lingua portuguesa também.




sábado, 13 de junho de 2020

RUY DUARTE DE CARVALHO

RUY DUARTE DE CARVALHO

É provávelmente o maior antropologista angolano. Estudou profundamente e viveu com o povo Mucubal durante longos períodos. Daí nasceu um livro "vou lá visitar pastores", extraordinário, gentil e muito ternurento ( minha opinião).
Escreveu muita coisa mais, mas aconselho "como se o mundo não tivesse leste". outro livro maravilhoso.
Quando morreu foi enterrado no deserto do Namibe, que se continua mais a sul pelo deserto do Kalaari.
Teve honras de mucubal e foi enterrado segundo a mais genuina tradição.
Sem túmulo. Cada um que lá vai visitá-lo, depõe uma pedra em sinal de respeito.
O meu grupo deambula frequentemente pelo deserto, e sempre vamos visitar o seu túmulo.



Neste deserto há também outras peculiaridades. Aqui encontra-se a welwitchia mirabilis, planta ancestral, algumas com milhares de anos, e em todo o mundo só existe aqui!

 


sexta-feira, 12 de junho de 2020

ICONOCLASTAS

ICONOCLASTAS

Está a acontecer.
Um pouco por todo o lado, há gente a destruir estátuas em nome da descolonização e do racismo.
Ontem em Lisboa vandalizaram a estátua do Padre António Vieira.
Sinto muita raiva e ao mesmo tempo pena. Dentro das coisas que eu menos aprecio, vêm na linha da frente a burrice  e a ignorância, porque é disso que se trata. Em termos políticos essa gentalha vale zero.
Mas, aqui vai o meu conselho a esses idiotas.
Atirem-se também a Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Diogo Cão e já agora à estátua do grande Eusébio.
Se ainda não estiverem satisfeitos, destruam a Lucy in the Sky (quanto a essa estou sossegado porque esses burros nem sabem quem é).
E porque não destruir o indício mais velho do Homo Sapiens?
Como dizia o meu pai, só o facto de invocar que não somos racistas já nos torna racistas. E esta escória mostra todo o seu racismo latente.
Cresçam como pessoas, lavem as mãos, mantenham o distanciamento social e fiquem em casa.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

BRASIL NUNCA MAIS


BRASIL NUNCA MAIS
 Aceitar participar no (des)governo de Bolsonaro, já é uma indicação clara da orientação política do candidato.
Aceitar substituir o secretário da cultura, que se deliciava a introduzir nos seus discursos textos de Goebells, torna a coisa ainda mais feia.

Aceitar que afinal a ditadura no Brasil, não foi aquilo que pintam, dar de barato que os brasileiros também têm de morrer, é a cereja no topo do bolo.
Parabéns Regina Duarte. Finalmente encontrou o seu caminho. Pena que o holocausto tenha acabado e que os nazis tenham morrido. Na altura você teria sido um quadro importante da estrutura.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

TERRAMAR


TERRAMAR

 
É  terra e mar, Terramar

Na praia mais distante
Onde assentam todas as areias douradas

Na confluência de todos os rios
No cruzamento de todos os sonhos

No quarto longe do mundo
Nos boleros dançados à média luz

Na nossa gaveta das memórias
Na caligrafia de poemas submersos

Na onda que desenha alinhavos na areia
Nas pegadas deixadas no caminho

Na decisão de ser ou não ser
Em velhos barcos repousando no fundo

Na vibração da luz de cada manhã

Numa cantiga de ninar ou de acalanto
No avesso de tudo o que é lógico

Num poema aristocrático de Leonard Cohen
No incessante latejo de uma ferida

No incessante latejo da vida
 
Lobito, Maio de 2020
 
 

domingo, 3 de maio de 2020

A LUTA CONTINUA...PARTE II

A LUTA CONTINUA… PARTE II

E é assim que chegamos ao dia 2 de Maio de 2020.
Confinados, com as economias mundiais enfrentando problemas graves, e se calhar é altura de fazer o meu ponto da situação.
Olhando aos números crus e totais, englobando países ultracuidadosos, outros mais ou menos, outros ainda sem qualquer controle, o que vemos são estatísticas de alta contagiosidade e muito baixa mortalidade. O mundo fechou porque a OMS assim o decidiu ( no final ajustar-se-ão as contas), porque o Centro Europeu assim o decidiu ( baseado em opiniões de um idiota que já tinha sido várias vezes idiota antes), e agora queremos começar a abrir tudo, uns quantos triliões de dinheiro depois. O povo em geral, encaminhado pelas redes sociais, envolveu-se num pânico generalizado e sem sentido.

PONTO 1: numa pandemia (?), são de acautelar medidas gerais de controle já profusamente divulgadas. Mas, afinal porque é que aconteceu tal desastre em Itália, Espanha e em tantos outros lados. Imaginem a epidemia anual de gripe. Os doentes são tratados em casa, nos Centros de saúde, nos lares, nos hospitais etc. E morrem alguns. E mesmo assim, o SNS abana anualmente.
Agora, vejam o que aconteceu. A OMS declara pandemia, doença de declaração obrigatória e tratamento obrigatoriamente hospitalar em unidades criadas para o efeito ( pressão negativa, ventiladores com fartura). De uma assentada o problema está criado, porque uma coisa é morrerem 200 pessoas espalhadas pelos vários sectores do SNS e do país. Outra coisa é morrerem de repente no mesmo local centenas de doentes que para aí foram levados. Claro que depois se assiste ao triste e degradante espectáculo dos transportes do exército a evacuarem os corpos, porque o sistema de repente colapsou. Tudo isto é um doce oferecido a todas as cadeias de notícias, que vivem exclusivamente da desgraça alheia, que quanto mais for melhor.

PONTO 2: fechar as escolas. Terá sido ajuizado fazê-lo? Pessoalmente acho que não. Todos nós temos filhos, netos, familiares. Mas de facto, cientistas a sério defendem que as crianças e os jovens são a nossa linha da frente. Não morrem, a maior parte será assintomática, e que melhor maneira de espalhar a imunidade. Impedi-los de contactar com o vírus, não trará nada de bom, mas isso veremos mais tarde.

PONTO 3: que questões temos para resolver no futuro? Muitas mesmo.
Olhar com olhos honestos, para a OMS, o Centro Europeu e outros Centros espalhados pelo mundo.
Actuar criminalmente e prender quem tiver de ser preso. E depois, criar estruturas sérias e credíveis que sejam o nosso garante em situações futuras.
É bom não esquecer que a OMS, teve relutância em declarar a pandemia e só o fez debaixo de grande pressão internacional e dos midia. Tudo isto tem que futuramente ser pesado, analisado e exposto.

É claro que estou a falar de ficção científica. Nada aconteceu de verdade, ninguém vai fazer seja o que for, e todos iremos continuar cantando alegremente em direcção ao por do sol, desde que o dinheiro venha e que o BCE e similares por este mundo forem imprimindo moeda 24/24 horas.
A LUTA CONTINUA




Neil Morris Ferguson (1968), é um epidemiologista britânico. É professor de biologia matemática, especializado em epidemiologia de doenças infecciosas disseminadas em humanos e animais, e especialista do Centro para Análise de Doenças Infecciosas do Imperial College, de Londres.

A criação do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças

Desde há uma vintena de anos, os dirigentes políticos ocidentais tentam utilizar os dados estatísticos das epidemias para determinar as decisões correctas a tomar em caso de perigo. Após a do SARS em 2003, a União Europeia dotou-se de um Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDPC), em 2005. Durante o segundo semestre de 2008, este e a presidência rotativa francesa organizaram um colóquio para estudar a conveniência de fechar escolas a fim de lutar contra uma epidemia de gripe e determinar quando essa devia acontecer e quando devia cessar. Não se falava ainda de confinamento generalizado de toda a população.
A principal contribuição foi a do Professor Neil Ferguson e de Simon Cauchemez, do Imperial College London. Comparava os dados estatísticos do fecho de escolas de Hong Kong em 2003 e 2008, da provocada pela greve dos professores em Israel em 2000, do impacto das férias por zonas em França de 1984 a 2006, do encerramento de escolas infectadas pela gripe em França em 1957 e as da “gripe espanhola” em certas cidades dos EUA e da Austrália em 1918. E salientava as desigualdades e injustiças ligadas ao encerramento de escolas no Reino Unido e nos EUA.
A partir daí, o problema foi colocado ao contrário. Os peritos observaram que os encerramentos de escolas não tinham impacto significativo no número final de mortes, mas unicamente na velocidade de propagação da doença. A sua missão passou a ser arranjar uma solução para o fecho de leitos hospitalares que não eram ocupados dia a dia. As estatísticas já não estavam ao serviço da saúde dos Europeus, mas, sim de uma ideologia, a da gestão liberal do Estado.
Bernard Kouchner, o Ministro francês dos Negócios Estrangeiros que organizou este simpósio, era o mesmo que, quando foi Ministro da Saúde (1992-93, 1997-99, 2001-02), iniciara a reorganização do sistema hospitalar francês, não segundo critérios médicos, mas de acordo com uma lógica de rentabilidade. Numa quinzena de anos, a França pode assim realizar substanciais economias fechando 15% dos seus leitos hospitalares; ora, economias irrisórias em comparação com o actual custo do confinamento

O charlatanismo do Professor Neil Ferguson
O Professor Ferguson continua a ser a referência europeia em matéria de modelos para epidemias. 
No entanto, foi ele quem, em 2001, convenceu o Primeiro-ministro Tony Blair a mandar abater 6 milhões de bovinos a fim de parar a epidemia de febre aftosa (uma decisão que custou 10 mil milhões (bilhões-br) de libras e que é hoje considerada como aberrante). 
Em 2002, ele calculou que a doença das vacas loucas mataria cerca de 50. 000 britânicos e mais outros 150.000 quando ela se transmitisse às ovelhas. Na realidade o número total de falecidos foi de 177.
Em 2005, ele predisse que a gripe aviária mataria 65.000 britânicos. Houve um total de 457 baixas.
Pouca diferença fez, tornou-se consultor do Banco Mundial e de inúmeros governos. Foi ele quem fez chegar, em 12 de Março, uma nota confidencial ao Presidente francês Emmanuel Macron anunciando meio milhão de mortes em França. Amedrontado, este tomou a decisão de confinamento generalizado nessa mesma noite. Foi ainda o Professor Ferguson quem anunciou publicamente, a 16 de Março, que, se nada fosse feito, contar-se-iam até 550.000 mortos no Reino Unido e até 1,2 milhões nos Estados Unidos, forçando o governo britânico a rever a sua política.
Simon Cauchemez, que era em 2009 o seu braço direito, dirige agora a unidade de previsões do Instituto Pasteur. Ele é, é claro, membro do Comité Científico do Eliseu («presidência francesa»- ndT), onde propôs o confinamento generalizado. Este comité foi constituído pelo Diretor geral da Saúde, o Professor Jérôme Salomon, filho espiritual e antigo conselheiro técnico de Bernard Kouchner.
A tomada de poder pela equipa Ferguson é baseada numa escroqueria intelectual, segundo a qual a «biologia matemática» (sic) poderá justificar a gestão liberal dos serviços de saúde.
Infelizmente, se as estatísticas permitem avaliar de seguida os efeitos de uma tal ou tal medida, elas não podem prever o comportamento de um organismo vivo, de um vírus. Esse busca, acima de tudo, propagar-se, mas não a matar, o que ele só causa involuntariamente quando a espécie em que se hospeda não tem ainda anticorpos apropriados. Nenhum vírus eliminará espécies, incluindo os seres humanos, já que se as matasse a todas, desapareceria com elas.
Além disso, a extrapolação de medidas relativas às gripes vulgares para a epidemia de Covid-19 é um absurdo: a gripe afecta muitas crianças, mas não a Covid-19, que em termos demográficos mata apenas pessoas idosas ou diabéticas ou ainda hipertensas. Sendo que as crianças infectadas com Covid-19 apenas tem uma carga viral muito ligeira, aliás, ignora-se mesmo até hoje se são contagiosas.
O Professor Ferguson reconheceu, em 22 de Março, ter efectuado os seus cálculos sobre a epidemia de Covid-19 exclusivamente com uma base de dados antiga, de há 13 anos, relativa às epidemias de gripe.
Além disso, é forçoso constatar a deriva deste guru que já não se contenta sequer em justificar políticas liberais aplicadas à Saúde Pública, mas acaba de preconizar a privação de liberdade de povos inteiros. Para mascarar a realidade desta deriva, os partidários do Professor Fergusson desviam a atenção do público propondo-lhe o uso de máscaras cirúrgicas, sobre as quais explicamos já que não têm qualquer utilidade face à epidemia.

A polémica com o Professor Didier Raoult
Estas explicações lançaram uma nova luz sobre a polémica que opõe os discípulos do Professor Neil Ferguson aos do Professor Didier Raoult. Contrariamente ao que se diz, não se trata de um problema de metodologia, mas precisamente de finalidade.
Neil Ferguson é um charlatão apanhado pela própria sua fraude, enquanto Didier Raoult é médico de prática clínica. Os adeptos do primeiro precisam de mortos para justificar a sua religião, os do segundo dedicam-se a cuidar dos seus doentes.
O problema que enfrentamos não é um debate científico, mas uma guerra de erros repetidos contra a abordagem científica. É inacreditável ouvir membros do Conselho Científico do Eliseu criticar ao Professor Raoult a não realização de estudos comparativos com um grupo de controle. Ou seja, em período de crise um médico responsável deve deixar de tratar alguns dos seus pacientes e em vez disso sacrificá-los deliberadamente?

segunda-feira, 27 de abril de 2020

COISA DA MINHA TERRA




COISAS DA MINHA TERRA

O meu genro publicou o que se segue.

"Fui uma vez a África e aprendi logo.
O mais velho é sábio. Tem prioridade. É acarinhado pelos mais novos que o vão logo buscar.
"Mais velho por favor passa na frente". "Precisa de alguma coisa ó mais velho?". Diz só que a gente trata.
Não falha. Não é lei. É muito mais forte que isso. É um bem cultural por cima da lei. E nós aqui é que estamos errados. Cheios de escolas, e tão mal educados. Não consigo perceber isto. Fui lá uma vez e aprendi logo. Angola com tanto problema, tem um povo bem educado nessa lei tão importante da vida. O mais velho é o bem mais importante da aldeia. O primeiro a ter protecção de todos e o último a dispensar. É que se correr mal, o "mais velho" é lá preciso para ensinar a resolver. Com o que se fala para aí, não querem parar um bocado para pensar nisto?
Mandasse eu alguma coisa e ia tanta gente para o fim da fila! Não é por nada... É só porque eu fui a África e aprendi logo. E tenho saudades dos "mais velhos" que lá conheci e que estão à espera de uma visita outra. Já estou pronto para a próxima lição".

Pois bem Manel, gostei muito, além do mais porque é genuinamente verdade. Posso afirmá-lo na primeira pessoa, porque me acontece todos os dias.
Mas, as coisas não terminam aqui.
Seja onde for, seja com quem for, independente de qualquer classe social, aqui toda a gente se cumprimenta. Bom dia, ualali.
E sempre há uma de várias respostas: bom dia, obrigado, ou está bem.
Aqui toda a gente repara é se não cumprimentarmos, e a carga negativa é visível.
Esta pode de facto ser a tua segunda lição. Haverá muitas mais, porque os "mais velhos" também têm saudades vossas.
Abraço







sexta-feira, 24 de abril de 2020

BURRICE TEM LIMITE... OU BOLSONARO NO SEU MELHOR

BURRICE TEM LIMITE!!!
 
 
E não há uma alma piedosa que proceda ao internamento compulsivo deste doido.
As declarações públicas prestadas em 23.04.2020, são suficientes para fazer isso.
 
 "Eu estou a responder num processo dentro e fora do Brasil, sendo acusado de genocídio por ter defendido uma tese diferente da OMS. O pessoal fala tanto da OMS, o diretor da OMS é médico? Não é médico. É como se o presidente da Caixa [instituição financeira brasileira] não fosse alguém da economia. Não tem cabimento".

 
"Eu não tenho números, mas entre o Brasil e um país pobre de um outro continente, africano por exemplo, a expetativa de vida é maior aqui ou no Zimbabué? É maior aqui. Porque temos mais rendimentos per capita aqui. Então, se os nossos rendimentos caírem, a morte chegará mais cedo".

Tenho a certeza absoluta que este idiota não sabe nem onde fica o Zimbabwe. Só assim, se atreve a comparar o Brasil com esse país. Deveria comparar-se com a América Latina, mas não lhe deve convir, porque o rendimento "per capita" por exemplo, da Argentina que não está económicamente bem  é o dobro da dos brasileiros.

Brasil no mundo: até Porto Rico e Trinidad e Tobago estão melhores. E isto em 2016. Não me consta que o Brasil tenha melhorado depois disso.

lista dos 40 países com maior renda per capita em poder de paridade de compra (ppp)

 


terça-feira, 21 de abril de 2020

NAUFRÁGIOS


NAUFRÁGIOS
Pele sedosa
Olhos  castanhos, febris
Vagueando na imensa savana adiante
Dentro, naufrágios incontáveis
Irrecuperáveis
Velhos barcos repousando no fundo
Nunca esquecidos
Nunca adormecidos
No que poderia ter sido e não foi
Esquecidas as velhas artes marinheiras
Vida pendurada num varal, ao sol
Secando o que já está seco
Sem coragem nem saber
Para dominar os ventos e marés .
 
Lobito, 21.04.2020

quarta-feira, 1 de abril de 2020

TEMPO DE RIOS


TEMPO DE RIOS

Este é um tempo de rios engrossando margens
Tempo de esvaziar os depósitos do céu
E de saciar a sede da terra
Amaciar os solos gretados e selvagens
E deixar o pó assentar na abundancia liquida
É o tempo de preparar sementes e vagens
Libertar enxadas e charruas
Deixar que façam o trabalho sempre ansiado
E na cama preparada deita-se o fogo da vida
Latente, ardendo sem pressas, num tempo novo
Tempo de meninos comboiando gados e brincadeiras
De noite há fogueiras de contar tantas histórias
E sorrisos cúmplices por tantas outras já contadas
Lavrar, plantar  já ficaram para trás
Amanhã, colher-se-à tudo o que a terra prometeu
Será tempo de festas e fogueiras
De tchinganges e agradecimento a todos os deuses
De sons e vozes doces que não magoam.

Lobito, Novembro 2019

GUERREIROS E HERÓIS


GUERREIROS E HERÓIS

Está na moda.

Agora todos os dias batem palmas ao fim da tarde, todos se apressam nas malditas redes sociais a dar a sua opinião sobre guerreiros e heróis, todos os líderes políticos apanham este barco, todo o mundo aproveita para dizer o quão gratos estão ao pessoal da saúde.
Para uns é evidente a procura de dividendos actuais e futuros. Para outros basta a notoriedade fugaz nas notícias, e poderem dizer daqui a uns anos que estiveram nesta luta, como se tivessem ido a uma qualquer guerra.

Mas afinal onde esteve esta gentinha toda, nos últimos quinze anos?
Eu sou médico, fiz a minha carreira toda nos Hospitais da Universidade de Coimbra, e não me lembro de alguma vez o povo português ter dito bem do seu sistema de saúde. Também não me lembro de ver ninguém defender o SNS, enquanto ele laboriosamente e encapotadamente foi sendo destruído ao longo dos anos. E na verdade, os únicos resistentes foram mesmo os profissionais no terreno. Essa sim, tem sido uma guerra sem benefícios próprios, em nome do povo português que somos todos nós, sempre, e não apenas quando nos convém.

Parem de nos chamar heróis. Lembrem-se que até muito recentemente nós eramos na vossa boca uma classe cheia de privilégios, que auferia ordenados milionários e que estava acima da lei. Tenham vergonha do que estão a fazer.
Os médicos e restante pessoal da saúde não precisam de incentivos para dar o seu melhor, não apenas agora mas sempre. Apenas necessitam que os respeitem como a qualquer outro profissional e que os deixem em paz para fazer o que tem de ser feito.

Os mesmos jornalistas que hoje cantam hinos a esta classe, serão os mesmos que depois virão à procura de assassinar qualquer médico que por qualquer razão se torne visível.
Basta olhar para a pobreza do jornalismo existente nas conferências de imprensa com o pessoal da saúde. Pobre demais ver estes jornalistas bacocos que foram ensinados a procurar a árvore em vez da floresta. É pobre que a notícia tenha de ser, a Directora Geral de Saúde a levantar-se e a morder um jornalista. Eu já o teria feito.

O corona vírus como qualquer guerra traz à tona o melhor e o pior do ser humano, e o que temos visto à exaustão, porque este jornalismo actual, todas as “fake news”, todas as redes sociais são propícias a isso, é verdadeiramente o pior de todos nós.
Atenção “jornalistas”. Vem aí uma janela de oportunidade pós corona vírus, e pressinto que os governos todos e o nosso em particular estarão já atentos e nervosos. Nada mais será como dantes, e creio que pela primeira vez, a classe médica irá impor as regras de funcionamento e não se deixará mais dominar por aqueles que nada percebem de saúde e cuja visão apenas assenta em números e contas de somar ou de sumir.

Finalmente, perdoem-me os verdadeiros jornalistas e toda a gente de boa vontade, mas estou seguro que sabem que estas palavras de desencanto não lhes são dirigidas.

quinta-feira, 26 de março de 2020

CORONAVIRUS IV - NO COMMENTS


CORONAVIRUS IV – “NO COMMENTS”


Covid-19. Grupo de idosos infetados recebido com pedras e explosivos em transferência de lar em Espanha
A série de incidentes aconteceu na cidade de La Línea de la Concepción, na província de Cádis, no sul de Espanha. De acordo com o relato da polícia, as ambulâncias que transportavam o grupo de idosos foram apedrejadas e um carro atravessou-se no caminho. Mais tarde, houve outros atos violentos que incluíram o arremesso de engenhos explosivos e a queima de contentores

 Um grupo de 28 idosos, despejados de um lar por estarem infetados com o coronavírus covid-19, foi recebido à pedrada em La Línea de la Concepción, na província espanhola de Cádis. Segundo o jornal “El Mundo”, o incidente aconteceu esta terça-feira quando populares se reuniram nos acessos à cidade para tentarem impedir a entrada das ambulâncias que transportavam os pacientes.

De acordo com o relato da polícia, os veículos médicos foram apedrejados e foi necessário escoltá-los. Um carro atravessou-se ainda no caminho das ambulâncias, tendo os seus ocupantes, dois homens de 32 e 25 anos, sido detidos.
A receção violenta não se limitou à entrada na cidade, prossegue o diário. Uma vez chegados à residência onde o governo autonómico da Andaluzia os realojou, os idosos foram cercados por cerca de meia centena de pessoas que ameaçaram tomar medidas se mais infetados chegassem à cidade. A polícia viu-se obrigada a formar um cordão de proteção em torno do edifício.

Durante a noite, foram arremessados vários engenhos explosivos a partir de casas nas imediações da residência. O primeiro deles explodiu na via pública no momento em que vários agentes identificavam dois indivíduos. O segundo foi lançado meia hora mais tarde para o mesmo local. Os engenhos não provocaram ferimentos em nenhum destes casos, refere o “El Mundo”. As autoridades policiais recolheram o que restou dos dois engenhos para procederem à sua análise.
Noutros pontos da cidade, sucederam-se atos de vandalismo que incluíram o incêndio de contentores. A polícia está à procura dos responsáveis.


quarta-feira, 25 de março de 2020

CORONAVIRUS III

CORONAVIRUS III

Esta epidemia, como todas as outras faz ressaltar o melhor e o pior do ser humano.
A par da enorme solidariedade, da abnegação de tantos profissionais, de tanta dádiva que surge, vem todo o lixo que a humanidade produz.
Os espartanos de uma forma mais ou menos ditatorial, matavam à nascença quem fosse imperfeito. Ao longo dos tempos isso deu origem em outras paragens, a genocídios que não há como varrer para debaixo do tapete da história, e que nos envergonham como seres.
O coronavirus, acentuou todo esse lixo.
Quando eu presencio todos os dias, pessoas como Bolsonaro, Trump e alguns outros, envergonho-me, como há muito não acontecia.
Resta dizer que foi o respectivo povo que os colocou lá e que por isso merecem o que se está a passar, mas não é verdade. Nenhum povo merece isso, a não ser que persistam no erro de os manter.
Não vou dizer " je suis brasilien", como aconteceu em França, e que envolveu e beneficiou alguma direita. O que vou dizer é que os povos decididos e corajosos, têm o poder de correr à paulada se for preciso, com esses bandidos.
Fiquem bem.

quinta-feira, 19 de março de 2020

NÃO VOU


NÃO VOU

Quando me dizem, vem por aqui
Não vou, nunca vou
Aproveita a multidão que se desloca
Sigo sozinho com os meus pensamentos
Aguardo o inesperado, ainda que doa
Vem pela claridade do dia
Prefiro a noite vagabunda de estrelas
Onde o adiante não se conhece
A ansiedade do desconhecido e incerto
Vem pelo rumo desta estrada sem fim
Corto pelas veredas e matas adiante
Onde o silêncio nos chama à razão
E pode trazer um sentido para tudo
Vem apoiar esta ideia tão lógica
Nunca o farei
Ao contrário, vou questioná-la
Olhá-la de um lado, do outro e de frente
E provavelmente abandoná-la
Vem para a cidade viver
Como, se eu amo o deserto e os silêncios
E tudo o que é rude e aparentemente insano?
Como, se ainda me servem os sapatos
Com que palmilho todo este chão?
Vem, apoia-te connosco no passado
Não  vou
Que tudo o que eu quero são futuros
Incertos, para construir como me apetece
Com gaviões planando nas alturas
E florestas intocadas por outras mãos
Ao avesso do avesso do estabelecido
Vem partilhar todo o amor que existe
Jamais
Amor não se partilha, apenas se dá
A quem de verdade o souber merecer
E não são assim tantos.
Quando me pedem não dou
Quando me chamam não vou
Vem, sem nós não sobrevives
Não vou, que não quero sobreviver
Quero apenas viver
Com os meus credos e esperanças
E acima de tudo
Longe, muito longe da multidão.

Lobito, Dezembro de 2019

quarta-feira, 18 de março de 2020

CORONAVIRUS II

CORONAVIRUS II

Não parecia possível, mas aconteceu.
Após correr com os médicos cubanos que estavam no Brasil, ajudando em áreas carenciadas, locais remotos que os médicos brasileiros evitavam, numa demonstração clara por parte do governo, de que não necessitavam dos "perigosos comunistas", surgiu a epidemia nossa conhecida.
Num acto da maior desfaçatez, o governo brasileiro, solicitou a Cuba o envio de 5.000 médicos.
Ao que me consta, Cuba nem sequer se deu ao trabalho de responder.
Cabe ao povo brasileiro, tratar das suas feridas, começando pela gangrena do seu "presidente".
Talvez, após isso realizado, possa haver ajuda.

terça-feira, 17 de março de 2020

DESPOLUIÇÃO


Comparativo da emissão de poluentes na cidade de Wuhan, epicentro do novo coronavírus.

Só não vê quem não quer!
Apesar de tudo, começa a haver um movimento empresarial, ao arrepio até dos próprios governos, no sentido de utilizar cada vez mais as energias limpas.
Grandes empresas chinesas e norte americanas, começaram a trilhar estes caminhos.
Haja esperança.

segunda-feira, 16 de março de 2020

CORONAVIRUS


CORONAVIRUS

No fim desta epidemia far-se-ão as contas, e eventualmente vai-se aprender muito. Digo eventualmente porque o ser humano é estranho e pleno de ambivalências. O mais provável é que tudo se esqueça, e que se volte à velha e degradada rotina do pré corona.


Em primeiro lugar a solidariedade. Hoje todo o mundo entoa hinos ao pessoal da saúde, e por todo o mundo surgem exemplos fascinantes de voluntariado. Na verdade, fora de qualquer crise, esses mesmos voluntários já existiam e o seu percurso de vida em nada se alterou. Limitaram-se a ser o que sempre foram: profundamente altruístas para com o seu semelhante e para com o planeta. Os outros, a imensa maioria limita-se a aplaudir como sempre fizeram, desde que isso lhes dê alguma notoriedade e possam aparecer nas redes sociais, liderando vanguardismos de caracter mais que duvidoso, e espalhando as “fake news” do costume. Esta é a primeira lição a tirar. Após a crise, aproveitem e mudem o vosso estilo de vida e a vossa maneira de pensar. Sejam cidadãos cooperantes, responsáveis e não peçam nada em troca, nem se tornem visíveis. Aprendam com cubanos e chineses, esses “malditos comunistas” que na hora da verdade estão sempre presentes e solidários. Lembrem aos brasileiros neste momento difícil, que o seu presidente eleito, mandou embora uma legião de médicos cubanos, que trabalhavam nas áreas em que os seus colegas brasileiros não queriam. Lembrem a esse idiota, quantas pessoas nesse Brasil ficaram de repente sem assistência. Lembrem os responsáveis, pelo tremendo aumento de mortalidade infantil nessas mesmas áreas, ainda que seja só para memória futura.


Em segundo lugar as alterações climáticas. Para quem está atento, esta epidemia já fez mais pela mudança climática, que todos os povos juntos nos últimos 50 anos. A redução dos níveis de poluição é absolutamente admirável. Talvez gente como Trump ou Bolsonaro tenham de engolir a quantidade enorme de asneiras que vêm produzindo ao longo dos tempos. Talvez ainda estejamos a tempo de salvar a Amazónia, que na verdade não é apenas dos brasileiros, muito menos daqueles brasileiros que a têm sistematicamente vindo a destruir. Talvez no fim disto tudo, se consiga uma nova ordem mundial no capítulo do clima. Talvez os países comecem a acreditar que o futuro está fundamentalmente no recurso a energias limpas. Mas cabe-nos a nós como povo forçar estas mudanças.


A maneira como os diferentes povos enfrentam esta epidemia diz muito do sistema político de cada região. Se olharmos para a Europa, os sistemas de saúde são abrangentes, na maioria estatais e apesar da solidariedade, são sempre os estados que arcam com a responsabilidade maior dos problemas. Este tipo de estado social, faz parte de um quadro civilizacional evoluído, onde as liberdades, direitos e garantias estão em grande parte assegurados. Ao olhar para o outro lado do Atlantico, vemos um Presidente a anunciar com grande pompa e nenhuma circunstância, que o diagnóstico da doença é grátis.


Nos EUA, o sistema de saúde digno de um estado social prácticamente não existe e o que existe serve bastante mal a classe mais desfavorecida. A preocupação de qualquer família de nível médio prende-se habitualmente com 3 coisas: bom seguro dentário, robustos seguros de saúde e amealhar para mandar os filhos estudar. Em outros países das Américas acontece o mesmo. Se calhar está na altura de pensarem que o famoso, maravilhoso “way of life” é apenas mais uma miragem de um sistema económico que vai acabar por falir. A própria economia, tão baseada no livre empreendedorismo, está hoje dominada por monopólios que combatem ferozmente esse livre empreendedorismo. São degradantes as imagens que nos chegam da classe de pobres e dos que estão abaixo do limiar de pobreza, que existem nos EUA. Como é criminoso o que se está a passar com o problema da habitação. Leiam um livro sobre o assunto, publicado recentemente e que se chama “ os destruidores de lares” (homewreckers – Aaron Glantz – publicado na Amazon). Vão perceber que o núcleo duro do governo, tem vindo a enriquecer de uma forma vertiginosa, usando e destruindo até às fundações o tal dito “way of life”. A acrescentar, os milhares de famílias desalojadas, na maior parte das vezes em bairros inteiros é de etnia afro.


Mas, no final vai haver vacinas, com maior ou menor dificuldade vai-se ultrapassar a crise, durante dois dias vão adorar os heróis desta guerra, e todos ou quase todos voltarão à sua vidinha triste nas redes sociais, esquecendo que por um tempo o coronavírus, lhes veio proporcionar uma vida familiar há tanto tempo esquecida. Talvez até finalmente muita gente tenha conhecido os seus filhos e familiares mais próximos. Tavez uma percentagem, ainda que pequena aproveite e mude. Isso fará toda a diferença.


Eventualmente, haverá perguntas que ficarão sem resposta. Eventualmente saber-se-á as origens reais desta epidemia. Eventualmente virá a saber-se quem ganhou com este desastre. De uma coisa estou certo. No final das contas, nada mais será igual ao que já foi. A guerra está aí e vai ser preciso o envolvimento de cada um de nós. Eventualmente do lado certo da barricada.