quarta-feira, 16 de setembro de 2020

DÁ PARA PERCEBER?

 


TOTALMENTE CORRECTO

A natureza é nossa aliada

Ao reconhecer o valor da natureza, podemos perceber que um sistema alimentar abrangente pode beneficiar simultaneamente o meio ambiente, a saúde pública e a economia.

Reduzir a emissão de CO2 pode afetar positivamente o valor nutricional dos alimentos – o que beneficiaria significativamente nossa saúde, uma vez que 76% da população mundial obtêm a maior parte de seus nutrientes das plantas –, podendo reduzir o risco de eventos climáticos extremos e, consequentemente, proteger o rendimento das colheitas. Isso é particularmente importante para os pequenos agricultores. Proteger a natureza significa proteger os meios de subsistência e as economias.

Sendo assim, restaurar a biodiversidade significa fortalecer a resiliência dos sistemas alimentares, o que permite que os agricultores diversifiquem suas produções e lidem com pragas, doenças e mudanças climáticas, reduzindo também a propagação de zoonoses e seus impactos econômicos – como o que o mundo enfrenta atualmente.

A adoção de dietas baseadas em vegetais requer menos uso de terras, produz menos gases de efeito estufa e exige menos uso de água, além de também desempenhar um papel importante na redução de doenças crônicas – como doenças cardíacas, derrames, diabetes e câncer – e de custos associados a tratamentos e a perda de renda.

Além disso, com a estimativa global de doenças crônicas projetada para atingir 56% até 2050, as dietas desempenharão um papel cada vez mais importante na gestão econômica.

É preciso reformular os sistemas alimentares para suprir as necessidades de 10 bilhões de pessoas de maneira segura e sustentável.

Para a chefe do Programa de Sistemas Alimentares Sustentáveis do PNUMA, é necessário considerar todo o sistema alimentar, da produção ao consumo, e entender cada um de seus componentes – por exemplo, como eles se relacionam e quais seus impactos imediatos e de longo prazo.

A agricultura precisa ser reconhecida como uma solução para a perda da biodiversidade, as mudanças climáticas e a poluição. Faz-se necessário migrar para modelos regenerativos ou agroecológicos que contribuam com paisagens e ecossistemas mais saudáveis.

As políticas devem ser construídas com a colaboração de várias partes interessadas e devem abordar de forma abrangente os sistemas alimentares, valorizando o capital natural, promovendo o uso sustentável da terra, prevenindo a poluição e a degradação ambiental e possibilitando aos produtores a oportunidade financeira de inovar em modelos mais sustentáveis.

Além disso, também é essencial a mudança de comportamento por parte dos consumidores, no sentido de adotarem dietas saudáveis ​​e sustentáveis ​​e práticas de prevenção de desperdício de alimentos – através da educação, conscientização, fortalecimento de ligações urbano-rurais e ambientes alimentares acolhedores.

A sustentabilidade ambiental não é um luxo. Ela não pode vir do acaso ou de uma reflexão tardia. Pelo contrário, ela é essencial para a sobrevivência humana. Agora, mais do que nunca.

Atuação do PNUMA

O PNUMA apoia a transição para sistemas alimentares globais que afetem positivamente a nutrição, o meio ambiente e os meios de subsistência dos agricultores.

Para contribuir com o Programa de Sistemas Alimentares Sustentáveis ​​da One Planet Network, a agência da ONU liderou o desenvolvimento de uma diretriz para a formulação de políticas colaborativas e a melhoria da governança.

O PNUMA também é responsável pelo Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12.3, que compromete os Estados-membros a reduzir pela metade o desperdício de alimentos per capita do varejo e do consumidor.

Com o Índice de Desperdício de Alimentos (Food Waste Index, em inglês), o PNUMA está moldando os dados globais de desperdício de alimentos e preparando uma metodologia harmonizada que permitirá aos países acompanhar o progresso rumo ao ODS 12.3.

 

ODS 12.3 Índice de desperdício de alimentos

ODS 12.3: "Até 2030, reduzir pela metade o desperdício global de alimentos per capita nos níveis de varejo e consumidor e reduzir as perdas de alimentos ao longo das cadeias de produção e abastecimento, incluindo perdas pós-colheita."

Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12: Garantir padrões de consumo e produção sustentáveis, contém uma ampla gama de metas, uma das quais está intimamente relacionada com Think.Eat.Save. A meta 12.3 do ODS busca reduzir pela metade o desperdício global de alimentos nos níveis de varejo e consumidor, bem como reduzir a perda de alimentos durante a produção e o fornecimento. Para medir o desperdício e as perdas alimentares, dois índices foram propostos: um Índice de Desperdício Alimentar (FWI) e um Índice de Perda Alimentar (ILF).

Com base no trabalho do Padrão de Relatório e Contabilidade de Perdas e Resíduos de Alimentos (Padrão FLW), o Índice de Resíduos de Alimentos está atualmente em desenvolvimento na ONU Meio Ambiente. O FWI medirá toneladas de alimentos desperdiçados per capita, considerando um fluxo misto de produtos desde o processamento até o consumo. O Índice de Perda de Alimentos já foi criado pela FAO, examinando a perda de alimentos ao longo de atividades de abastecimento, como produção, manuseio e armazenamento e processamento. Juntos, esses dois índices representarão o ODS 12.3 em sua totalidade.

O Meio Ambiente da ONU e a FAO estão trabalhando com outras partes interessadas internacionais para estabelecer metodologias e orientações detalhadas. Para obter mais informações, visite a página do SDG 12.3 .

  


TOTALMENTE ERRADO

"Teremos alimentos para todos em 2050. A questão é saber se eles serão distribuídos"

Ria Hulsman, gerente regional para América Latina da Universidade de Wageningen, veio ao Brasil em janeiro para participar do seminário Fruto (Foto: Leandro Martins/Fruto )

A população mundial deverá ser de quase 10 bilhões de pessoas em 2050. Para alimentar tanta gente, a produção de alimentos terá que aumentar 70%, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). A grande questão é: conseguiremos atingir essa marca? Ria Hulsman, gerente regional para América Latina e Caribe da universidade holandesa de Wageningen, acredita que sim. “Nós já estamos produzindo muita comida e aumentando um pouco poderíamos alimentar todo mundo. Mas não é apenas uma questão técnica. É também política”.

Ria conversou com Época NEGÓCIOS e falou sobre os desafios de alimentar a população mundial, como serão as fazendas do futuro e revelou sua grande preocupação. "Estou muito preocupada com a situação na África, onde a população está crescendo muito rapidamente, a terra está degradada e os efeitos das mudanças climáticas são muito intensos. Lá haverá falta de comida. Em outras partes do mundo, não. Então, teremos comida o suficiente, mas não no lugar certo".

Estamos trabalhando na velocidade necessária para evitar a falta de alimentos em 2050?
Podemos olhar para essa questão com focos diferentes. Pensando tecnicamente, nós já estamos produzindo muita comida e aumentando um pouco poderíamos alimentar todo mundo. Mas não é apenas uma questão técnica. É também política, de economia e poder. Todos esses fatores resultam em um problema de má distribuição e influenciam nessa missão de alimentar o mundo em 2050.

O Brasil é protagonista para atender a demanda mundial por alimentos e terá que aumentar sua produção em 40%. Você tem visto trabalhos importantes acontecendo por aqui nesse sentido?
Sim, há alguns bons exemplos no Brasil de como você pode recuperar áreas degradas. Acho o trabalho da Embrapa muito importante. Essa organização tem feito muitas pesquisas em diversas partes do Brasil, inclusive, com fazendeiros. Além disso, vejo que aqui vocês estão cultivando alimentos em algumas áreas das cidades. São Paulo, por exemplo, é muito verde. Quando dizem que 12 milhões de pessoas vivem aqui, você pensa que tudo é concreto. Mas quando você chega, vê um grande número de árvores, plantas e iniciativas para que os consumidores cultivem alimentos em áreas urbanas. Isso é positivo.

O quão importante é o trabalho de agritechs e foodtechs na recuperação de terra e produção de alimentos?
Esses empreendedores são muito poderosos, criativos, inovadores e cheios de energia. Essas características são fundamentais para encontrar soluções para os problemas. Nem todas pessoas e empresas têm essa mentalidade. Por isso, as startups serão muito importantes para encarar esse desafio de produzir mais.

Como você acredita que serão as fazendas do futuro?
A grande maioria vai ser de agricultura intensiva e de grande escala. No Brasil, vocês já estão bastante dedicados à produção de soja e milho. Esse processo vai continuar, mas teremos algumas mudanças na produção. Os vegetais, por exemplo, vão ser cultivados nas cidades. Também haverá cada vez mais espaço para produtores orgânicos e outros mercados de nicho. Acho isso muito importante, pois ao mesmo tempo que a produção de alimentos vai se tornando um desafio maior, os consumidores também ficam mais interessados em saber a origem das coisas. Embora as pessoas vivam nas cidades, elas gostam da natureza e sempre vão querer saber como está sendo o cultivo daquilo que consomem.

Afinal, vamos ter comida o suficiente para todos em 2050?
Sim, nós vamos ter. A grande questão é se essa comida vai ser bem distribuída. As técnicas de cultivo são controláveis, mas a política e os seres humanos não. Estou muito preocupada com a situação na África, onde a população está crescendo muito rapidamente, a terra está degradada e os efeitos das mudanças climáticas são muito intensos. Lá haverá falta de comida. Em outras partes do mundo, não. Então, teremos comida o suficiente, mas não no lugar certo.


Cada um dá a opinião que quer. Não há futuro em aumentar a produção. Para 2100 terá que se aumentar a um crescimento geométrico. Há alternativas. Controle de natalidade, porque não podemos crescer a esse ritmo. Controle dos desperdícios. Isto é meter a cabeça na areia, quando se diz que os países têm que plantar mais milho e soja. Mas estamos a falar de uma coisa que se chama Época negócios.

  

SER

Ser ambientalista não é um culto, nem sequer deve ser encarado como espírito de missão. Basta apenas reconhecer que tem que se viver de forma sustentada em equilibrio com todo o resto do ecosistema. O simples facto de existirmos ( como existem árvores, animais, bactérias e virus) da forma como o fazemos, é terrívelmente perigoso. 

Não há como existir sem fazer lixo, sem deixar a nossa pegada carbónica, mas podemos fazê-lo de forma a minimizar os prejuízos. A única e verdadeira missão de um ambientalista é viver desse modo e convencer o parceiro do lado da justeza das intenções. 

Claro que está em marcha uma guerra, porque tem muita gente que acha que o presente é que importa e que se dane o futuro dos nossos filhos. De qualquer modo, tudo está interligado e o caminho ou é feito ou o planeta se encarrega de o fazer.

Tenho-me batido pelas energias alternativas. O uso de combustíveis fosseis está na primeira linha do aquecimento global. Um estudo feito sobre lareiras em casa, mostrou resultados devastadores. O uso de energias fosseis para alimentar fábricas e outras formas de produção, já obrigou os países (nem todos), a reverem os seus protocolos.

O consumo desvairado de água, usado para todos os fins tem de terminar, porque os recursos hidricos estão no fio da navalha.

O abate de animais por esse mundo fora,conduz à desflorestação, à desertificação, à poluição irreversível dos lençóis freáticos, às chuvas ácidas, etc. As capturas intensivas com arrastões de fundo, são terrívelmente predatórias das espécies a capturar, como das espécies que não eram para capturar, e que vão servir para fazer farinhas para alimentar...os gados.

O plástico deveria ser abolido imediatamente. Ainda assim se está a ler isto, pare com os plásticos e aconselhe o seu amigo do lado a fazer o mesmo ( nada do planeta está livre do plástico, nem os nossos pulmões).

Como cidadão comum o que posso fazer?

Envolver-me com organizações ambientalistas sérias; usar a água de forma sustentada (tomar banho de imersão gasta 300 litros de água, tomar banho de chuveiro gasta 20-30 litros); reduzir aos mínimos o consumo de proteínas animais, tornar-me tendencialmente vegan. Se nós deixarmos de comer carne, vão produzi-la para vender a quem?; olhar para outras culturas e outras formas de alimentação; estar na linha da frente no combate às grandes queimadas, feitas pelos exploradores de gado e plantadores de soja; batalhar por santuários da vida animal tanto em terra como no mar; boicotar alimentos obtidos em regime de cultura intensiva ( tanque marítimos de produção de peixe e pecuária intensiva); assim que possível deixar os transportes movidos a combustível.

No geral, temos de mudar de vida e de comportamentos. Temos de pressionar para que o ambiente seja um tema desde o início escolar, em escolas com energias alternativas, com cantinas consequentes e com consumos de água razoáveis. E, na verdade a escolha é nossa. Só nos vendem aquilo que nós quisermos. Ainda que esteja isolado, se cada um convencer uma pessoa mais, a batalha será ganha.


segunda-feira, 14 de setembro de 2020

VIVER

Existir é sobreviver a escolhas injustas

Mas, existir não deveria ser sobre sobreviver

Apenas viver na ausência de escolhas injustas 

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

VIA LÁCTEA

Via Láctea – Wikipédia, a enciclopédia livre


No fim de semana passado, fui para o "mato", longe de tudo o que é civilização, para a fazenda de um amigo.

À noite, depois do jantar, sentados no exterior, sem luz, num breu de fim de mundo, olhei para o céu.

Vi o que já não via desde miúdo. Um céu crivado de milhões de estrelas, atravessado pela via láctea. Um espectáculo e tanto, que me fez pensar que não estamos sózinhos.

Lembrei-me de Karen Blixen e do África Minha e da vontade que eu tenho de voltar a ele.

AMAZONIA

Amazónia brasileira registou este ano o maior número de incêndios desde 2010

 

A Amazónia brasileira registou, entre 01 de janeiro e 09 de setembro deste ano, 56.425 focos de incêndio, o maior número para o período desde 2010, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) do Brasil. Trata-se de um crescimento de cerca de 6% em relação ao mesmo período de 2019, quando se contabilizaram 53.023 incêndios, e quando as imagens das chamas naquela que é a maior floresta tropical do planeta circularam pelo mundo e geraram indignação.

A Amazónia brasileira não ardia tanto desde 2010, quando o Inpe, um órgão governamental, registou 72.946 fogos na região. Os dados do órgão contradizem o atual executivo brasileiro, liderado pelo Presidente Jair Bolsonaro, que tem feito campanha negando que a Amazónia esteja a arder. Exemplo disso é um vídeo divulgado esta semana pelo Governo, que diz que o "Brasil é o país que mais preserva as suas florestas nativas no mundo".

"Essas queimadas na Amazónia são culturais e de pequena proporção", indica o vídeo difundido pelo Governo, um argumento que tem sido recusado por ambientalistas e vários observadores. O vídeo, produzido pela Associação de Criadores do Pará (AcriPará), um grupo formado por fazendeiros produtores de gado, foi divulgado na quarta-feira à noite nas contas da rede social Twitter do vice-presidente brasileiro e chefe do Conselho Nacional da Amazónia Legal, Hamilton Mourão, e do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

"De que lado você está? De quem preserva de verdade ou de quem manipula os seus sentimentos? O Brasil é o país que mais preserva as suas florestas nativas no mundo. Essa é a verdade. Nós cuidamos!", escreveu Mourão na mensagem que acompanha o material audiovisual.

"Recebi este vídeo, a Amazónia não está queimando", indicou por sua vez Salles, ao publicar o mesmo conteúdo.

No início do mês, a Amnistia Internacional alertou para o "número alarmante" de novos incêndios que lavram na Amazónia brasileira, acusando as autoridades do país de não protegerem a terra e os direitos humanos naquela floresta tropical. A organização não-governamental (ONG) destacou ainda que a desflorestação na região aumentou 34,5% entre agosto de 2019 e julho de 2020 em comparação com o mesmo período de 2018 e 2019, destruindo uma área total de 9.205 quilómetros quadrados. Parte dos incêndios na região amazónica costumam ser iniciados intencionalmente por grileiros, indivíduos que tomam posse de terras ilegalmente e desflorestam a área para criar pastagens.

A pecuária é a principal causa de ocupação ilegal de terras em reservas e territórios indígenas na Amazónia brasileira, alimentando o desflorestação e afetando os direitos dos povos indígenas e residentes nativos.

No total, 63% da área desflorestada na Amazónia, de 1988 a 2014, tornou-se pasto para gado, numa área cinco vezes maior que Portugal, segundo um relatório publicado pela Amnistia Internacional no ano passado. A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta, com cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados, e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).

  


quinta-feira, 10 de setembro de 2020

LONGE DA MULTIDÃO

 

Todo o mundo deveria

Ser ao menos uma vez frágil, desamparado

Poder  marcar um passado e um futuro

No momento exacto da escuridão

De preferência quando a cama está vazia

E o desconforto amanhece connosco

Todo o mundo deveria

Ao menos uma vez, ter saudades do passado

Ainda que sejam dolorosamente inúteis

Na falta de um abraço que nos desvende

E corrija qualquer ano menos bom

Todo o mundo no final, deveria poder dizer…

terça-feira, 1 de setembro de 2020

FLAMINGOS

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FOOD IN THE FUTURE – WORLD WID FOUNDATION

Chegou o tempo de reconsiderar a alimentação.

Por todo o globo, a produção de comida a sua distribuição e o lixo resultante, ameaçam a vida selvagem, os locais selvagens e o planeta na sua globalidade.

Hoje, 7.3 biliões de pessoas consomem 1.6 vezes os recursos naturais que o planeta pode oferecer. Em 2050 a população será de 9 biliões e a demanda por comida duplicará.

Portanto, como vamos produzir mais comida para mais pessoas, sem expandir os terrenos cultiváveis e os gastos em água? Não é simplesmente possível dobrar a quantidade de alimentos. Felizmente não teremos de o fazer – temos o dobro da alimentação que necessitamos. Mas temos de congelar a nossa pegada ecológica no que diz respeito à alimentação.

A médio prazo a produção de comida é suficiente para todos, apenas não chega a cada um segundo as necessidades. Cerca de 1.3 biliões de comida são desperdiçados a cada ano – quatro vezes a quantidade necessária para alimentar 800 milhões de pessoas que são subnutridas. Por outro lado inevitavelmente, teremos que de forma global diversificar a nossa alimentação, olhando para outras culturas e hábitos alimentares. Procurar fontes alimentares alternativas.

Ao aumentar a eficiência e a produtividade, simultaneamente com a redução do desperdício, nós podemos produzir comida suficiente para cada um em 2050, usando a mesma quantidade de terra, que usamos actualmente. Alimentar toda a gente de forma sustentável e proteger os nossos recursos naturais.

  

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

LOBITO

 

Olupito: um olhar à história da cidade com 106 anos

Jaime Azulay

 Em meados do século XIX, o florescimento de Benguela parecia ter chegado a um beco sem saída. A velha “Cidade Mãe das Cidades” enfrentava um período de estagnação resultante da conhecida crise nas matérias-primas de exportação, como a cera e a borracha, à qual se juntou o fim do comércio de escravos.

Para agravar a situação, o seu clima severo tornou-a indesejável aos forasteiros, chegando a ser apelidada de “cemitério dos europeus”. No ano de 1842 D. Maria II assinou as portarias régias que ordenaram a deslocação da capital de Benguela para uma zona mais aliciante, precisamente onde hoje se situa o Lobito, mais favorável para a criação de pólos urbanos, limitada por morros, baixa e quebra-mar (a restinga).

Devido á sua implantação urbanística e desenho arquitectónico, o Lobito representa um caso “sui generis” em Angola. O núcleo mais representativo e mais antigo da cidade é a conhecida restinga. Trata-se de um cabelo de areia virado para o Norte e com uma extensão de 2,5 km. Entre a restinga e o continente, encontra-se uma baía totalmente abrigada, onde se construiu o “Porto do Lobito”, considerado porto oceânico de primeira classe e um dos mais importantes da costa ocidental africana.
A restinga é a parte velha da cidade. O seu perfil arquitectónico denota a indisfarçável presença colonial portuguesa. O património imobiliário inclui, igualmente, exemplares únicos da chamada “arte-nova”. Noutros edifícios antigos, facilmente se vislumbra a influência dos mestres ingleses, que, no início do século XX, estiveram envolvidos na construção do Porto e dos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB).
Desde cedo a expansão do pólo urbano da restinga ficou condicionado pela limitação de espaço. A cidade tinha crescido até onde o obstáculo natural lhe permitiu. Depois, sucedeu a conquista da zona oposta à da Restinga. Nasceu assim o Bairro do Compão, a partir de um acampamento destinado ao pessoal que labutava nas obras de construção do Porto e mais tarde dos CFB. O aglomerado de barracas era designado pelos engenheiros e outros técnicos ingleses por “Compound”. A palavra (que significa “composto”, na tradução à letra, foi “aportuguesada” pelo pessoal angolano para “Compão”. E assim permanece até hoje.
Alguns pesquisadores consideram o Lobito “Cidade Sem Historia”, em comparação à vizinha Benguela, fundada nos alvores da colonização portuguesa, por Miguel de Cerveira Pereira. A criação do Lobito é atribuída a uma portaria de 2 de Setembro de 1913. Contudo, muitos investigadores refutaram a tese. O arquitecto e urbanista Castro Rodrigues refere, num estudo que, muito antes dessa data, já os povos locais conheciam esta baixa alagada, chamando-a de “olupito”, designação da língua ovimbundo que significa “passagem”, “caminho”, “passadeira”.
“Olupito” era itinerário obrigatório das caravanas oriundas do interior para o litoral de Benguela, a fim de praticarem o comércio de escravos, cera e borracha com os portugueses. De “Olupito”, nasceu o nome da cidade que tem toda a sua existência ligada ao mar. Foi o mar, a porta para o mar, que definiu o pólo urbano muito antes das portarias regias e dos decretos de D. Maria II.

NO COMMENTS

Brasília, 27 ago 2020 (Lusa) - O vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, afirmou hoje que as queimadas que fustigam a Amazónia são como uma "agulha no palheiro", tendo em conta a gigantesca dimensão daquela floresta, negando que esta esteja a arder.

"Nós temos essas questões das queimadas. Os dados de 26 de agosto indicavam que nós tínhamos 24 mil focos de calor [incêndio] na Amazónia Legal. Ora, minha gente, a Amazónia Legal tem cinco milhões de quilómetros quadrados. Vinte e quatro mil focos de calor significa que tem um foco de calor a cada 200 quilómetros quadrados. Isso é agulha no palheiro", disse Mourão, num debate organizado pelo Canal Rural.

"E o que está a ser colocado para o mundo inteiro? Que a floresta está queimando, que a Amazónia está a arder", acrescentou o vice-presidente ao minimizar os incêndios que lavram na região, advogando que o país "não é um vilão ambiental".

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

CIRCULOS

A Pedra Cai Na água Azul Calma Produzindo Círculos Filme - Vídeo ...

 

O  meu charco não tem pedras

Apenas círculos simétricos se alargando

Na superfície da alma

terça-feira, 25 de agosto de 2020

TODOS PODEMOS AJUDAR. CONSELHO 3

 Hoje tive uma notícia animadora.

Uma espécie em vias de extinção no meu país, graças à criação de parques-santuários, está a recuperar de forma significativa. Falo da palanca negra gigante, animal maravilhoso.

A propósito disto, é de salientar, a preocupação cada vez maior na criação destas reservas de vida animal. Aqui já existem a Quissama, Kangandala, Bicuar, Iona, etc.

Mas a grande luta agora, centra-se na criação de reservas marinhas, absolutamente fundamentais para o equilibrio ecológico no futuro. Se nada for feito, o desastre é inevitável. E já agora leiam alguma coisa sobre aquacultura. Um verdadeiro atentado ecológico, como aconteceu na Suécia, no Chile e noutros locais com a produção de salmão. ( Nas águas das costas do Chile, a poluição maior é de... antibióticos, derivados da aquacultura intensiva de salmão - cada tanque tem em média 1.800.000 peixes, e o governo sabe e patrocina e aproveita).

Envolvam-se com associações, façam pressão, não deixem os nossos destinos nas mãos dos outros.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

HEARTH FOOTPRINT

 

Earth Overshoot Day is August 22, more than three weeks later than last year


OAKLAND, CA, USA — JUNE 5, 2020 — Earth Overshoot Day 2020 lands on August 22, more than three weeks later than in 2019, according to Global Footprint Network. The date reflects the 9.3% reduction of humanity’s Ecological Footprint from January 1st to Earth Overshoot Day compared to the same period last year, which is a direct consequence of the coronavirus-induced lockdowns around the world. Decreases in wood harvest and CO2 emissions from fossil fuel combustion are the major drivers behind the historic shift in the long-term growth of humanity’s Ecological Footprint.

The sudden year-over-year Ecological Footprint contraction, however, is a far cry from the intentional change which is required to achieve both ecological balance and people’s well-being, two inextricable components of sustainability. At Global Footprint Network, we envision a world where humanity lives on our planet’s ecological budget by design rather than by disaster, so that all thrive within the means of Earth.

“Humanity has been united by the common experience of the pandemic and shown how intertwined our lives are. At the same time, we cannot ignore the deep unevenness of our experiences nor the social, economic, and political tensions which have been exacerbated by this global disaster,” said Global Footprint Network CEO Laurel Hanscom. “Making regeneration central to our rebuilding and recovery efforts has the potential to address the imbalances both in human society and in our relationship with the Earth.”

Each year, Earth Overshoot Day marks the date when humanity has used all the biological resources that Earth can renew during the entire year. Humanity currently uses 60% more than what can be renewed – or as much as if we lived on 1.6 planet. From Earth Overshoot Day until the end of the year, humanity grows the ecological deficit which has been increasing steadily since the world fell in ecological overshoot in the early 1970s, according to the National Footprint & Biocapacity Accounts (NFA) based on UN datasets (with 15,000 data points per country per year). Since UN data only stretches to 2016, the global results for 2020 have been assessed using complementary data.

To determine the impact of the pandemic on the carbon Footprint (14.5% decrease), the period from January 1st to Earth Overshoot Day was divided into three segments: January-March, for which the International Energy Agency (IEA) released an analysis of energy and emissions reductions; April-May, when the most restrictive lockdowns occurred; and June-Earth Overshoot Day, during which the gradual loosening of confinement policies is expected.

The forest products Footprint (8.4% decrease) is strongly affected by demand forecasts which, in turn, determines wood harvest. Even though construction has been ongoing during the pandemic, the forestry industry predicted lower demand going forward and quickly reduced harvest rates.

The global food system suffered significant disruptions such as the temporary shutdown of food services and the impossibility for migrant farm workers to cross borders. From farm to table, access both to market and to food has been compromised, increasing food waste and malnutrition simultaneously. Nevertheless, the food Footprint overall seems to have been unaffected by the COVID-19 pandemic.

Lessons carrying us forward

This year more than ever, Earth Overshoot Day provides an unprecedented opportunity to reflect on the future we want. Efforts to respond to COVID-19 have demonstrated that shifting ecological resource consumption trends in a short timeframe is possible. As we emerge out of the public health crisis and focus on rebuilding our economies and our lives, strategies informed by biological resource security and 1-planet prosperity are far more likely to bring about the positive outcomes that decision makers seek.

Already, powerful lessons can be drawn from the collective experience of the pandemic:

·         Governments are capable of acting swiftly, both in terms of regulations and spending, when they put human lives above all else;

·         Humanity is one biology and is stronger when we act together:

·         Businesses – including our partner Schneider Electric – and individuals alike can effectively align and collaborate in the pursuit of a shared goal when people recognize that their own lives, and that of the people they love, may be at risk.

·         The necessary actions required to protect oneself, one’s household, and one’s community also protect others; one’s decisions at all levels have consequences for all.

By now, we have witnessed what is possible when humanity comes together to pursue a shared outcome. What shared outcome could be more important than our long-term success on our finite planet?

 

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

TODOS PODEMOS AJUDAR. CONSELHO 2

É comum ouvir-se dizer que não se devem comer carnes vermelhas, mais do que uma vez por mês.

É absolutamente verdade, mas não pelos motivos invocados, que na maioria das vezes são relacionados com os milhares de dietas milagrosas, que pululam no ciberespaço.

Nos últimos anos, tenho vindo de forma pragmática a tornar-me vegan, num acto de pura consciência ambiental.

Não vou expor aqui as razões, que me levaram a isso, porque são longas. Há muito que defendo a ideia que não se deve dar peixe a um mendigo. A oferta certa é uma cana de pesca e ensiná-lo a pescar.

Para quem estiver interessado, recomendo a tese de mestrado: impactos ambientais da produção de carne para consumo humano. Professora Ylka Duarte - Universidade de Pernambuco. É uma óptima maneira de começar a abordar este tema.

Claro, que nós precisamos de proteínas, mas o velho mito de que as proteínas animais são insubstituiveis, há muito que caiu por terra. Há imensas proteínas vegetais, que fazem exactamente o mesmo efeito.

Quanto ao ambiente, leiam e percebam. 

Pelo gado, fazem-se as maiores tropelias, sempre balizadas por estudos "cientificos", das empresas responsáveis. Desmatamento, desertificação, chuvas ácidas, hipercultura de soja e derivados, poluição dos lençóis freáticos, aumento das temperaturas globais por aumento desenfreado de gases com efeito de estufa, etc.

Entendam porque é que há países que preferem importar carne, em vez de a produzirem em larga escala.

Entendam todo o ciclo, de crescimento, maturação, abate.


LUZ

 

No fim do fim, eu vou poder dizer

Tudo o que não foi dito de forma definitiva

Porque todo passado é alicerce de futuro

Nada nunca será inútil, nos tempos adiante

Nada nunca será inútil, nos tempos passados

Ainda que apenas respirar se torne difícil

E que apenas restem escombros da cidade

Sempre haverá alguém que sabe e acredita

Na escrita submersa de todos os rios

No fim do fim, eu vou poder dizer

Que o meu barco é teu, sempre foi teu.

TODOS PODEMOS AJUDAR. CONSELHO 1

 Encham uma garrafa de plástico, de litro, com água.

Coloquem-na no reservatório da sanita. Desse modo, sempre que a usarem, poupam um litro de água.

Em média vivem por apartamento 3 pessoas e usam esse reservatório cerca de 15 vezes/dia, o que significa 450 litros / mês.

O meu prédio tem 8 andares, com quatro apartamentos por andar, o que perfaz 32 apartamentos e uma média de 14.400 descargas mensais e 14.400 litros de água poupada. Em 12 meses perfaz uma economia de água de 172.800 litros

Mas esse é o meu prédio. E o meu bairro' E a minha cidade? Contas feitas poupam-se anualmente biliões de litros de água em cada cidade.

Faça a sua parte. Todos agradeceremos no futuro.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

A LUTA CONTINUA

 Quando a floresta amazonica está a desaparecer a um ritmo alucinante, em nome de interesses confessos, para cultivo de soja e gado e o governo brasileiro sabe e patrocina e aproveita. (Há mais cabeças de gado no Brasil, do que habitantes). A ler e a espalhar a mensagem: impactos ambientais da produção de carne para consumo humano - Prof. Ylka Duarte - Universidade de Pernambuco.

Quando nas águas das costas do Chile, a poluição maior é de....antibióticos, derivados da aquacultura intensiva de salmão ( cada tanque tem em média 1.800.000 peixes), e o governo sabe e patrocina e aproveita.

Quando a pesca de fundo, intensiva e ilegal, extermina a um ritmo diário espécies marinhas e os governos sabem, apoiam e subsidiam.

Quando os governos discutem se o hidrogénio tem de ser verde ou azul, duas coisas são claras. Não sabem do que estão a falar, não lhes importa nem um pouco a pegada ecológica que vão deixar, e apenas cedem aos interesses e lucros imediatos.

Quando as ONG's ( nem todas felizmente), embarcam em ajudas humanitárias, é certo que alguém vai ficar mais rico e a ajuda não vai chegar ou chega muito deficitária.

Quando as igrejas, vivem numa abastança escandalosa, à custa do dízimo dos fiéis, e dado com muito sacrifício, ninguém cuida de saber que interesses há envolvidos. Os fiéis acham normal que o "bispo" Edir Macedo e acompanhantes tenham fortunas colossais e vivam impunemente como nababos?

Quando o racismo nas suas variadas vertentes, cresce em ritmo vertiginoso.

Quando há uma guerra permanente norte - sul, e se invocam os deuses para as justificar.

Quando se sabe, que uma distribuição racional e mais justa, daria para alimentar toda a gente.

Quando em pleno século XXI, se exterminam tribos inteiras de índios, como se não importasse.

Quando pessoas como Trump ou Bolsonaro ou Lukachenko conseguem chegar à chefia dos respectivos países.

Quando as redes sociais são usadas à exaustão, para tentar dirigir os rebanhos nas direcções mais convenientes.


A ideia é ficar parado a assistir ao desmoronar deste planeta? Se calhar é preciso fazer o "reset".

Mas, antes disso não será melhor tentarmos alterar o rumo? Envolvermo-nos a sério, e há tanta forma de o fazer. Não podemos apenas ficar a babar, sempre que uma miuda sueca faz o que todos nós deveriamos fazer. A pergunta é: como podemos colaborar activamente? Se já estamos a colaborar, estamos a ser efectivos? Engajem-se. Falem com a organização do Al Gore, ou outra qualquer. Sejam guerreiros em causa própria, porque nos estão a sujar a casa.

Em vez de desanimo, vamos à luta. Quando, mas quando, vamos todos pegar o futuro pelos cornos?


EARTH DISEASE

O mundo está doente e não se trata do covid19. Com esse está-se lidando de uma forma ou de outra.

Falo de todas as epidemias que assolam o planeta, a nossa casa.

Falo de corrupção, violações, crimes, perversidades as mais diversas, desastres ambientais provocados por gente à margem da lei, guerras sistemáticas em nome de religiões, segredos e documentos secretos que apenas alguns manuseiam, redes sociais, hackers, exterminios em nome de coisa nenhuma, governos olhando para o seu próprio umbigo.

No geral, os povos estão tristes, desanimados, caminhando sem sentido, procurando apenas sobreviver, aparentemente sem armas para fazer frente a esta batalha.

Há um provérbio chinês que diz que no fim de um jogo de xadrez, peões, reis e rainhas, voltam todos para a mesma caixa.

É verdade, somos todos iguais, com iguais capacidades, e muito capazes se o quisermos, de enfrentar e derrotar toda esta massa idiota que vive à margem da lei. Basta para isso, que não percamos o rumo e batalhemos em conjunto.

Basta de desanimos que amanhã é um novo dia. As batalhas vão ser longas e é preciso ser resiliente. Vencer uma de cada vez.

Vamos lá fazer coragem camaradas.


sexta-feira, 14 de agosto de 2020

SE


Se eu disser o teu nome verdadeiro

E  te olhar nos olhos

Será que vais rodopiar num passo de dança

Ou te enredas em silêncios inquietos?

Se eu te disser como verdadeiramente te chamas

Vais querer saber mais, cavar fundo

Estás pronta para seguir o caminho

Ou descalças os sapatos de palmilhar chão?

Se eu te chamar pelo que tu és

E te mostrar de onde realmente vens

Tens coragem para cavalgar todos os medos

Ou vais esconder-te no escorrer de dias cinzentos?

 

Todos temos um nome verdadeiro, que apenas é conhecido e murmurado nos círculos mais intímos. Temos que o merecer. Escavando fundo dentro de nós, todos acabamos por saber qual é o nosso verdadeiro nome. Pelo menos eu sei o meu.

 

Meu nome murmurado

Florestas e perfumes num balanço da mão

Cada passo marcado na lama do caminho

 

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

LEMBRAS-TE?

 

Lembras-te quando os girassóis giravam?

E quando as estrelas cabiam nos nossos olhos?

Quando o tempo rodava imutável

E as bussolas apontavam fielmente o norte?

Hoje o compasso da música já não é

E cada letra de cada palavra treme de indecisão

Já não se dançam boleros nas calçadas

Não voltei a ver lagartos dormitando ao sol

As pedras já não cantam os silêncios

Nem há cavalos verdes deslizando nas savanas

Lembras-te que eu sou um inveterado optimista?

E que o azul pode ser verde ou amarelo

E que Chopin, pode ser Roberto Carlos ou Beatles

Pode se  uma pintura rupestre ou Matisse

Na verdade, nada se perde, nada se cria, tudo se transforma

Sei de papel passado, que posso moldar o meu mundo como quiser

Afinal, ele existe apenas na minha cabeça.

LOBOS

 

Entre a noite e o quase já ser dia

Quando o sol se atreve nos beirais

É a hora dos lobos e alcateias se recolherem

Na paragem de um tempo profundo e silencioso.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

REFORMAS

REFORMAS

 

Correm os ventos, limpando pegadas

Das areias e das almas de cada um

As neblinas matinais acordam

Na preguiça de um novo dia

Hora de despir conceitos e preconceitos

Reformar cobardias e desigualdades entranhadas

Sem lugar para retornos e outros arrependimentos de ocasião

Quem se julgar capaz que se apresente

Os impolutos e outros farsantes que contem os dias

Os que se julgam puros, desanimem-se e assentem praça

Quem se julgar superior ou diferente

Apenas aguarde a chuva que vem chegando

Porque vai chegar, bravia, feroz, democrática

Os pios a caminho da redenção, pensem melhor

Nem lhes passe pela cabeça jogar pedras

Porque de uma forma ou outra vão-se acertar contas

Quem se julgar capaz que se apresente

Há muita falta de seres humanos nas fileiras.

 

 

 

 


terça-feira, 21 de julho de 2020

COVID 19 - OPINIÃO PESSOAL

Muito se tem falado desta epidemia, que aparentemente tem uma taxa de mortalidade de 3-5%.
Como em qualquer epidemia, maior ou menor, sazonal ou não, ditam as regras que devemos proteger-nos: máscara, distanciamento, recolhimento quanto baste.
Mas nada mais que isso.
Não custa perceber que os números globais são enganadores e que provávelmente não há 15.000.000 de infectados, há muitos, muitos mais.
O número real só seria conhecido se se testasse maciçamente toda a população mundial. 
No entanto todas as mortes por covid ou não são devidamente contabilizadas.
Portante a mortalidade real, não será de 3-5%, mas algures abaixo de 1%.
A OMS estigmatizou esta doença, obrigou a medidas dos diversos países, que os colocaram em recessão, e que os povos pagarão com dificuldade no futuro. De cada vez que fala, vem implementar mais receios, numa agenda que ninguém de bom senso ainda percebeu. Mais adiante se verá. Mas não foi só a OMS. Muitos "bons" cientistas foram pelo mesmo caminho. Por exemplo, a França balizou as suas decisões em informações erradas vindas do outro lado da Mancha, e o que é curioso é que não foi a primeira vez.
Por outro lado, foi criado o "caldinho" do pânico.
Criar hospitais de referência, só fez com que os casos se amontoassem em sítios pré definidos. E não é a mesma coisa ter 500 casos de covid num hospital ou ter os doentes distribuidos naturalmente pelos hospitais da zona. Depois dizem que o sistema de saúde colapsa.

Esta epidemia é séria, como qualquer epidemia. É democrática como qualquer epidemia.
Devemos ter os cuidados básicos e ser racionais.
Daí, a ter as mãos em sangue de tanto as esfregar, tomar banho sempre que se chega a casa, desinfectar a roupa, pôr os sapatos do lado de fora, etc, etc, vai o espaço de um mundo.

Por fim, os testes rápidos vieram mostrar que afinal muita gente, que nem soube que teve o covid, já está imunizada e provávelmente imunizou gente em seu redor.

Enfim, use máscara, lave as mãos o suficiente, faça o seu distanciamento social quanto baste e viva tranquila. de preferência, apague a TV sempre que tentarem dar-lhe informações sobre a doença. Aguarde serenamente pelas vacinas.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

COVID-19


Covid-19. Brasil zona emergente de fome extrema

EPA A organização não-governamental Oxfam sinalizou o Brasil como "zona emergente" de fome extrema, adiantando que a pandemia de Covid-19 veio acelerar o crescimento da pobreza e da fome em todo o país.
O Brasil surge com esta classificação, juntamente com a Índia e a África do Sul,no relatório O vírus da fome: como a Covid-19 está a aumentar a fome num mundo faminto, da organização não-governamental Oxfam, que analisa os impactos da doença em países onde a situação alimentar e nutricional das populações era já extrema antes da pandemia. De acordo com a ONG, a situação da pobreza e fome no Brasil começou a deteriorar-se em 2015 devido "à crise económica e a quatro anos de austeridade".
"Até 2018, o número de pessoas que sofriam de fome no Brasil tinha aumentado em 100 mil para 5,2 milhões graças a um forte aumento da pobreza e do desemprego, e a cortes radicais nos orçamentos para a agricultura e a proteção social", refere-se no documento, que aponta os cortes no programa Bolsa-Família e, desde 2019, "um desmantelamento gradual" das políticas e instituições destinadas a combater a pobreza.
"A pandemia Covid-19 foi agora acrescentada a esta mistura já tóxica, causando um rápido aumento da pobreza e da fome em todo o país. As medidas de distanciamento social introduzidas para conter a propagação do coronavírus e evitar o colapso do sistema de saúde pública agravaram a crise económica", acrescenta-se no estudo.
A ONG recorda que milhões dos trabalhadores mais pobres, que têm poucas economias ou benefícios, perderam empregos ou rendimentos, sem que tenham sido beneficiados por apoios governamentais.
Números da crise crescente:
"Até final de junho, o Governo federal distribuiu apenas dez por cento da ajuda financeira prometida aos trabalhadores e empresas, através do Programa de Apoio Emergencial ao Emprego (PESE), com as grandes empresas a obterem mais benefícios do Governo do que os trabalhadores ou micro e pequenas empresas", aponta a Oxfam.
Da mesma forma, apenas 47,9 por cento dos fundos destinados à ajuda de emergência a pessoas vulneráveis tinham sido distribuídos até ao início de julho.
Por isso, a ONG entende que "o Governo federal está a falhar no apoio às pessoas mais vulneráveis do Brasil".
De acordo com a Oxfam, a implementação do programa de Renda Básica de Emergência regista longos atrasos na resposta aos pedidos de ajuda, recusas injustificadas de ajuda, falta de telemóveis, ligações à internet e endereço de e-mail para se qualificar para a assistência.
Por outro lado, adianta a organização, "apenas três meses após o início do surto do coronavírus do país, e numa altura em que ainda está largamente fora de controlo, o Governo ameaça reduzir o pagamento dos benefícios".
A Oxfam Brasil lançou uma campanha para apoiar 1.000 famílias vulneráveis em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife através de transferências monetárias de 60 dólares (53 euros) por mês durante quatro meses, considerado o suficiente para garantir que as famílias possam comprar alimentos e outros bens essenciais.
A meta de arrecadação de fundos para este programa é de 240 mil dólares (211,8 mil euros).
O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo maior número de infetados e de mortos (quase 1,71 milhões de casos e 67.964 óbitos), depois dos Estados Unidos.


quarta-feira, 8 de julho de 2020

LUANDINO

LUANDINO - O LIVRO DOS GUERRILHEIROS

Entanto que ex-guerrilheiro, eu, Diamantino Kinhoka, ainda com a autorização que sempre a amizade e camaradagem aceitam, sendo quissoco nosso o da luta de libertação, não reinvindico licença de mentir. Ainda mesmo companheiros de luta, compatriotas nados e crescidos nas mesmas sanzalas, próprias ou alheias de outra região - isto é: lá onde lhes nasceram seus entespassados - não aceito crítica por adiantar
contar os seus feitos, sucedos e vidas, e mortes, quando lhes tiveram já.

Escrevo assim, porque na terra que nos nasceu, muitos séculos e tradição e lutas dão de gerar conformidade entre nosso entendimento das coisas e as próprias coisas dela, sejam vivas sejam mortas.
Então, tendo que contar essas algumas coisas nossas, ou por gabo ou por maldizença, nunca lhes poderia directamente contar. Porque, se dou gabo, sempre tem quem vai duvidar que foi mais do que poderia ser; se dou maldizer, sendo eu próprio ex-guerrilheiro, que são invejias do feito e vivido nos outros alheios.

E também outrossim, porque é dos livros da memória e tradição no nosso povo que aquele com quem tens de comer as folhas do macunde na tribulação, tem de ser aquele que repartes com ele o feijão na abundância. Daí que a verdade de suas vidas sempre não é possível de escrever, ainda que desejada; mas, menos ainda, desejada se possível. A gente fizemos a revolução, nossas memórias têm o sangue do tempo.

Se os verdadeiros escritores da nossa terra exigirem a certidão da história na pauta destas mortes, sempre lhes dou aviso que a verdade não dá se encontro em balcão de cartório notarial ou decreto do governo, cadavez apenas nas estórias que contamos uns nos outros, enquanto esperamos nossa vez na fila de dar baixa de nossas pequenas vidas.

Quero então com-licença apenas para a formosura destas vidas; a das minhas palavras é muito duvidosa. E mesmo que não fosse, mesmo assim nunca ia bastar para ordenar a verdade

terça-feira, 7 de julho de 2020

LUANDINO


LUANDINO

Meu amigo.
De entre todos os escritores angolanos, é o meu preferido.
É difícil considerá-lo um escritor. Para mim ele é o arquitecto da palavra, influenciador das mais brilhantes mutações da linguagem de Camões.
Escreveu muita coisa fantástica.
Traduzido em dúzias de linguas.
O meu livro preferido que releio sempre chama-se "Lourentinho, Dona Antónia de Sousa Neto e eu".
Mas, para quem tiver a coragem de ler e aprofundar e apreciar a incrível escrita dele, aconselho "De rios velhos e guerrilheiros", dois volumes.
A nossa pátria está lá, de uma forma única. E a lingua portuguesa também.